“Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora … milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas … vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: Não desespereis! (…) Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!”

Esses são trechos do Filme O Grande Ditador, onde o genial Charles Chaplin satiriza Hitler.

Um discurso tão antigo, mas que cabe perfeitamente aos dias de hoje.

Principalmente se tratando de Cuba, um país sufocado pelo regime autoritário. Um país onde a informação se espalha por blogs – quando não rastriados – Cds e pen drives.

São milhares de “vitimas de um sistema” cheias de força na voz, mas com pouquíssimo alcance.

Unamo-nos

Foi com a intenção de engrossar e dar mais alcance a essas milhares de vozes que os brasileiros Raphael Bottino e Peppe Siffredi,fascinados pelo debate sobre liberdade de expressão em meios alternativos, visitaram Cuba por oito dias e em breve apresentarão nos cinemas um documentário mostrando a difícil rotina de blogueiros que desafiam o controle do regime dos irmãos Fidel e Raúl Castro.

Entre essas histórias está a blogueira mais famosa – e vigiada – Yoani Sánchez, que em depoimento feito em sua casa,repetiu como é a dura rotina da vida na ilha – por exemplo, faz apenas uma refeição por dia, por causa do racionamento de tudo. E falou, para surpresa dos dois, de um mundo para eles desconhecido – a música cubana underground. Relatou a ação de bandas de rock com músicas de resistencia ao regime.Contou como fazem oposição aos hinos clássicos da revolução cubana,como o célebre Hasta Siempre, Comandante, de Carlos Puebla. Detalhou as manifestações públicas antigoverno em shows de cantores como Pablo Milanés.

Foram oito dias de trabalho intenso,com muitos testemunhos de gente que já esteve presa pelo regime ou sofreu agressões explícitas.

O Último Discurso – nome dado ao documentário – ainda conta com a produção executiva do também brasileiro Marcelo Mesquita.

Parabéns aos meninos pela iniciativa! 

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