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Amor de verão e de inverno. Eterno

Era difícil para Carlinhos, terno e gravata, cansado, morrendo de calor, atravessar o Baixo Leblon sem procurar aquela que não o deixava dormir. Olhava de soslaio para as mesas, várias, com mulatas, louras e afins contemplando os homens interessantes do lugar. Para ele, não importava. A que ele queria era muito desejada. E não necessariamente uma exclusividade de homens. As mulheres também a cobiçavam tais eram seus encantos.

Até que um brilho natural anunciou sua chegada . Parecia voar por entre as mesas, diante de olhares esguios, desejosos, fortuitos. Ela fazia sua parte. Iria se acomodar à espera das primeiras mãos, dos primeiros elogios.

Carlinhos, de fora, andando de um lado para o outro, não suportou. Lançou-se ao bar, pediu licença e desculpas aos caboclos e seus ares de pidões, sentou-se à mesa, catou-a e partiu para casa diante de muitas reclamações e vaias.

Ao abrir a porta da sala, vários copos com gelo se derretiam em vontade num canto da mesa. Carlinhos não sabia como começar. A volúpia era enorme. Olhou por alguns instantes para fora, viu o sol, o céu e o mar profundo. Seu monumento particular estava ali aguardando seu toque.

Sorveu-a com ardor, dava gosto ver sua cara de prazer.

Era mais uma garrafa de Santa Dose a se contabilizar naquele verão inesquecível. Para ele, que a tomou em seus braços e a bebeu com fé, fazendo do gelo sua principal testemunha, aquele era menos um dia sem sem ela.

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